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A reforma tributária, tema recorrente nas discussões econômicas do Brasil, enfim caminha para uma profunda transformação. A chegada da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) representa um novo marco para a tributação de empresas e promete provocar mudanças expressivas no ambiente de negócios brasileiro.
No lugar de tributos tradicionais, como PIS, COFINS, ICMS e ISS, essas novas contribuições inauguram uma forma inédita de apuração e recolhimento de impostos, reposicionando obrigações, custos, fluxo de caixa e até mesmo estratégias de precificação em inúmeros setores.
Neste artigo, você encontrará uma análise clara dos efeitos práticos dessas novidades, as adaptações exigidas e os benefícios de um planejamento adequado. Ao longo do texto, serão apresentados exemplos reais, dados de pesquisas e opiniões do mercado. Leia até o final.
O nascimento da CBS e do IBS: motores da reforma
A reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional inaugurou uma nova fase para a tributação sobre consumo no Brasil. Dois tributos são os propulsores dessa mudança: a CBS, voltada à esfera federal, e o IBS, à estadual e municipal. Juntos, eles substituem um conjunto de impostos que, há décadas, geram dúvidas, acúmulo de créditos e divergências entre estados e municípios.
De acordo com informações do Ministério da Fazenda, CBS e IBS terão base ampla, tributação no destino, não cumulatividade plena e legislação uniforme. O objetivo declarado é simplificar, reduzindo processos burocráticos e facilitando a devolução de créditos acumulados.
O CBS substituirá PIS, COFINS e parte do IPI, enquanto o IBS substituirá ICMS, a nível estadual, e o ISS a nível municipal. Esse novo modelo causa impacto não apenas financeiro, mas operacional. Empresas precisarão reorganizar sistemas internos, ajustar contratos e se preparar para um ciclo de transição.
Simplificação: promessa e realidade
O argumento mais citado para justificar a criação da CBS e do IBS é a simplificação do sistema tributário de consumo. O cenário atual é marcado por múltiplos tributos, com legislações distintas entre estados e municípios, além de regras técnicas complexas.
O novo modelo parte de três pilares:
- Unificação da base de cálculo para tributação de bens e serviços;
- Substituição das dezenas de normas estaduais e municipais por uma legislação uniforme;
- Adoção do crédito financeiro, que facilita o aproveitamento de créditos tributários e reduz a cumulatividade.
Os créditos tributários poderão ser apropriados por qualquer aquisição de bens e serviços vinculados à atividade da empresa, reduzindo significativamente as distorções do modelo anterior. Na prática, a apuração e o recolhimento tendem a se tornar mais diretos, mas exigirão atenção redobrada nos registros fiscais e contábeis.
A criação da CBS e do IBS significa o fim da vigência, ao menos para efeito de apuração sobre bens e serviços, dos seguintes tributos:
- PIS/PASEP
- COFINS
- ICMS
- ISS
- IPI (em parte, para produtos não seletivos)
Vale lembrar que tributos como o IRPJ, CSLL e ISS para operações específicas continuam existindo, sendo necessários cuidados diferenciados.
Impactos práticos nas empresas
O impacto das novas contribuições não se limita ao cálculo dos tributos. Há uma lista significativa de reflexos para a rotina empresarial, que começam pela necessidade de atualização tecnológica e passam por mudanças em processos internos, negociações e até estratégias de mercado.
Mesmo empresas que já terceirizam processos fiscais deverão revisar contratos, sistemas e treinamentos. Alguns dos principais efeitos práticos:
- Alteração na precificação dos produtos e serviços, diante das novas bases de cálculo e alíquotas;
- Decisões sobre repasse ou não das diferenças tributárias ao consumidor;
- Necessidade de reavaliar contratos com fornecedores e clientes, considerando a nova tributação;
- Atualização dos sistemas de gestão (ERP), automação fiscal e relatórios contábeis;
- Readequação de controles internos, incluindo gestão de crédito tributário;
- Adaptação do fluxo de caixa para absorver eventuais impactos de crédito e débito em períodos diferentes.
A CLM Controller possui forte experiência em projetos de adaptação de sistemas e processos, apoiando empresas na transição segura para as exigências fiscais e legais do novo cenário.
O impacto das mudanças varia entre os setores
As transformações tributárias não produzem efeitos homogêneos, e isso significa que cada segmento da economia sentirá impactos distintos ao longo da cadeia. Enquanto alguns setores tendem a se beneficiar de um ambiente mais transparente e menos cumulativo, outros precisarão se adaptar rapidamente para evitar perda de margem e competitividade. A compreensão dessas diferenças é essencial para que empresas façam ajustes preventivos em seus modelos de negócio.
A nova lógica de CBS e IBS tende a padronizar regras, mas não elimina particularidades setoriais. Por isso, empresas precisam monitorar continuamente interpretações, regulamentações complementares e impactos reais ao longo da implementação. Abaixo, entenda o impacto em alguns dos principais setores.
Indústria: maior aproveitamento de créditos e ganho de competitividade
As empresas industriais já trabalham tradicionalmente com cadeias longas e alta dependência de insumos, o que faz com que o novo modelo de crédito mais amplo seja especialmente vantajoso para o setor. A redução da cumulatividade impacta diretamente no custo de produção, liberando margens. Esse alívio no fluxo de caixa pode aumentar a competitividade e permitir investimentos mais estratégicos.
O setor industrial também deve observar mudanças expressivas na precificação. Com o aproveitamento mais robusto de créditos ao longo de toda a cadeia, o preço final dos produtos tende a ficar mais competitivo, especialmente em segmentos pressionados por importações ou concorrência global. Esse movimento pode gerar uma redistribuição natural de competitividade no mercado, beneficiando empresas mais eficientes na gestão tributária.
Por outro lado, a indústria precisa se preparar tecnicamente. Sistemas de apuração, controles de fornecedores e contratos precisam refletir a nova estrutura, garantindo que nenhum crédito seja perdido por falhas de compliance. Organizações que investirem em governança tributária e automação sairão com vantagem significativa quando o novo modelo estiver plenamente em vigor.
Serviços: o setor mais pressionado pelas mudanças
O setor de serviços historicamente aproveitou poucos créditos fiscais, especialmente porque sua estrutura de custos é baseada em mão de obra e não em insumos tributáveis. Nesse novo cenário, com base ampla para CBS e IBS, a carga efetiva poderá aumentar de maneira relevante para empresas de serviços, exigindo ajustes imediatos em planejamento financeiro, precificação e estratégias comerciais.
Essa elevação potencial do imposto sobre o valor agregado representa um ponto de atenção especial para empresas cujo diferencial competitivo depende de margens reduzidas ou contratos de longo prazo. Adequar preços sem perder competitividade será um desafio real. Muitos prestadores de serviços terão de renegociar contratos e revisar modelos de entrega para absorver ou repassar parte da nova tributação.
Ao mesmo tempo, o setor precisará modernizar sua gestão tributária. Como antes havia menor necessidade de controle de créditos, agora será preciso adotar ferramentas mais rígidas de apuração e compliance. Empresas que não se adaptarem rapidamente poderão sofrer impactos diretos na rentabilidade, especialmente em segmentos como consultorias, educação, saúde, marketing, tecnologia e serviços especializados.
Tecnologia: ajustes contratuais e revisão de margens
Empresas de software, TI e inovação já operavam com margens pressionadas devido à limitação do uso de créditos na estrutura tributária atual. Com a entrada do novo modelo, esse setor deve sentir impacto imediato, principalmente na revisão de contratos ativos, margens de venda e políticas de repasse a clientes. O efeito é ainda mais significativo em negócios SaaS, serviços recorrentes e operações que atuam em múltiplas jurisdições.
A necessidade de reprecificação será quase inevitável. Muitas empresas de tecnologia trabalham com contratos de longo prazo e reajustes anuais, o que exigirá renegociação sob a nova lógica tributária. É um ponto sensível, pois eleva o risco de cancelamentos ou revisão de escopo, exigindo estratégias inteligentes para comunicar clientes e absorver parte do impacto quando necessário.
Além disso, a área de TI terá papel fundamental na adaptação operacional. Sistemas internos de faturamento, ERPs e engines de precificação precisarão ser atualizados para refletir as regras do IBS e da CBS. Negócios que investirem em automação e governança tributária terão mais previsibilidade e segurança nos meses de transição.
Comércio e varejo: nova dinâmica de crédito e adaptação dos sistemas
O comércio e o varejo, tradicionalmente expostos a operações interestaduais e com grande volume de transações diárias, sentirão um impacto significativo na forma de administrar créditos e débitos tributários. A mudança para o IBS exige uma reorganização dos controles fiscais, especialmente para empresas com presença em múltiplos estados ou operações omnichannel. A acurácia será determinante para evitar perda de crédito e garantir margens saudáveis.
Além da adaptação conceitual, existe um desafio prático: reconfigurar sistemas de apuração e conciliação fiscal. O varejo depende de processos extremamente automatizados e de grande volume, então qualquer falha na parametrização pode gerar impactos financeiros consideráveis. Ajustar ERP, automações de checkout, integrações com marketplaces e sistemas de gestão será essencial.
Outro ponto importante é a relação com fornecedores e a formação de preços. Com o novo modelo de crédito ampliado, o varejo pode obter ganhos relevantes, mas isso depende de cadeias bem estruturadas e do repasse correto dos créditos pelos parceiros. Empresas com maior maturidade fiscal tendem a extrair valor mais rápido, enquanto operações menos organizadas precisarão correr para não perder competitividade no curto prazo.
Transição: prazos e adaptações
O processo de transição será gradual, mas tem data para começar. A primeira fase entrará em vigor em 1º de janeiro de 2026, conforme o cronograma estabelecido pela Emenda Constitucional. Haverá um período de convivência entre “velhos” e “novos” tributos, em que as empresas precisarão calcular e pagar impostos em ambos os regimes.
O período de adaptação é uma janela crítica para revisões na rotina, recontratações e atualização dos sistemas internos. Equipes de contabilidade e finanças precisarão ser treinadas para executar a apuração correta em sistema híbrido, até que só reste a nova estrutura.
Empresas que investirem em apoio técnico especializado conseguirão adequar seus processos com mais segurança e tranquilidade, fatores decisivos para evitar riscos fiscais ou multas por inconsistências.
A nova legislação exigirá um grau ainda maior de detalhamento nos registros fiscais. Nas normas da CBS e do IBS, haverá obrigação de especificar as operações tributadas, as atividades beneficiadas por isenções e as respectivas alíquotas.
Automação, relatórios customizados e integração entre os setores financeiro, fiscal e jurídico passarão a ser diferenciais estratégicos. Aqui surgem oportunidades para revisão dos fornecedores de sistemas, aprimoramento de treinamentos e reavaliação da política de compliance.
Terceirização e BPO: nova abordagem para o setor contábil
A reestruturação do regime tributário colocará ainda mais luz sobre a decisão entre contabilidade interna ou terceirizada. Em muitos casos, a terceirização de processos fiscais, ou mesmo de toda a contabilidade, pode trazer ganhos no acompanhamento das etapas e na atualização frente às novas obrigações.
Questões como contratos, sigilo, responsabilidade sobre declarações e entregas tornam imperativa a escolha de parceiros experientes, que já orientem clientes sobre todas as nuances. A CLM Controller orienta que gestores acompanhem os debates sobre contabilidade interna e terceirizada para identificar o formato mais aderente ao futuro do negócio.
Além disso, empresas com matriz estrangeira ou com standards internacionais terão que investir tempo extra na adequação dos relatórios fiscais, já que as regras brasileiras passarão a dialogar com práticas presentes em diversos outros países, como a tributação sobre valor agregado (VAT).
Alinhamento com departamentos globais e parceiros locais passa a ser essencial, inclusive para evitar dupla tributação, ajustar contratos internacionais e garantir compliance perante a matriz e o Fisco brasileiro.
CBS, IBS e a aposta pelo futuro do negócio
A CBS e o IBS, centrais na reforma tributária, representam uma ruptura com o passado e um convite a novas formas de gestão fiscal e contábil. Simplificam, sim, mas exigem preparo, investimento e monitoramento constante. A prova disso está nos próprios dados de mercado, e nas experiências já vividas por empresas que anteciparam ajustes.
Empresas que transformarem a transição como oportunidade, e não somente como obrigação, largarão na frente em um cenário competitivo e mais transparente. Quem deseja segurança, clareza e evolução deve buscar apoio de especialistas e começar já o planejamento para as novas regras.
A CLM Controller tem conduzido clientes de diferentes portes nesse processo, reunindo know-how, tecnologia e atendimento personalizado para garantir não apenas conformidade, mas também melhores resultados empresariais.
Conhecer as soluções sob medida da CLM Controller pode ser o diferencial para transformar o impacto da CBS e do IBS em uma janela concreta de crescimento. Entre em contato e descubra como preparar sua empresa para um ciclo de modernização fiscal, administrativa e estratégica. Entre em contato conosco e saia na frente!
Perguntas frequentes
O que muda nas empresas com CBS e IBS?
Com a adoção da CBS e do IBS, as empresas vão deixar de apurar e pagar os antigos tributos federais, estaduais e municipais, substituindo-os por contribuições únicas e uniformes. Haverá mudanças fundamentais na apuração, com o uso do crédito financeiro e a simplificação de obrigações acessórias. Tudo isso trará reflexos em precificação, contratos, fluxo de caixa e gestão fiscal. O detalhamento das operações também será maior, exigindo atualização de sistemas, treinamento equipe e revisão de procedimentos internos.
Como calcular o impacto da CBS e do IBS?
O cálculo do impacto passa pelo estudo das novas alíquotas, análise do modelo de crédito financeiro (quanto a empresa poderá se apropriar dos créditos tributários) e simulação do novo fluxo de caixa. É fundamental revisar contratos, fornecedores e clientes, além de realizar projeções considerando as operações mais representativas da empresa. A orientação de especialistas e o uso de simuladores tributários são ferramentas práticas para antecipar os efeitos, especialmente nos primeiros meses de transição.
Quais setores serão mais afetados por essas mudanças?
O setor de serviços tende a sentir o maior efeito, pelo aumento potencial da carga tributária e o menor aproveitamento de créditos. Indústria e comércio, por terem cadeias mais longas de insumos, devem perceber ganhos com a redução da cumulatividade. Empresas de tecnologia, startups e multinacionais precisam de atenção especial na adaptação de sistemas, contratos e processos internacionais. Cada setor tem desafios e oportunidades próprios com a chegada da CBS e do IBS.
Vale a pena antecipar adaptações para CBS e IBS?
Sim, antecipar a adaptação garante que a transição ocorra com menos riscos, menor chance de autuações fiscais e possibilidade de identificar oportunidades tributárias. A experiência de empresas que já iniciaram esse movimento demonstra que o planejamento permite ajustes eficazes nos processos, sistemas e contratos, evitando perdas financeiras e fortalecendo a estrutura de compliance.
Quando as novas regras entram em vigor?
As novas regras da CBS e IBS começam a ser implementadas a partir de 1º de janeiro de 2026, numa fase inicial de transição. Durante o período de adaptação, antigos e novos tributos conviverão, tornando necessário um controle apurado para evitar erros de apuração e penalidades. O cronograma prevê eliminação gradual dos antigos tributos, com total implementação do novo modelo nos anos seguintes.












